Movimentos sociais apresentam reivindicações na reunião do Brics

Por Mariana Tokarnia e Helena Martins, repórteres da Agência Brasil

VI Cúpula do Brics é realizada com segurança máxima em Fortaleza (CE). (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

VI Cúpula do Brics é realizada com segurança máxima em Fortaleza (CE). (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Copa ajudou a dar visibilidade e a promover a unidade de movimentos em torno de pautas conjuntas. “Mesmo que não tenhamos conseguido a mobilização que imaginávamos, tivemos visibilidade. O [movimento] repercutiu na mídia nacional e internacional”, diz a coordenadora-geral do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs), Sandra Quintela, que integra o Comitê Popular da Copa no Rio de Janeiro.

Com o fim da Copa do Mundo ontem (13), a agenda de lutas continua. É o que espera Jussara Bastos, integrante da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) de São Paulo. “As pautas da classe trabalhadora nunca terminam. Se se avança na questão habitacional, a conquista abre um leque para outras questões que envolvem a qualidade de vida”, afirma.

O MTST foi um dos que tiveram mais reivindicações atendidas no período, conseguindo, inclusive, firmar acordo com o governo federal. “Fomos para a rua com pautas muito claras e específicas, e sabendo de quem cobrar”, disse Jussara. A expectativa é que mais ocupações ocorram no próximo período, fortalecendo a luta por moradia.

Em Fortaleza, o MTST ocupa, desde o dia 5 deste mês, um terreno no bairro Paupina. Cerca de 2 mil famílias participam da ocupação, segundo o movimento, que reivindica a construção de 2 mil unidades habitacionais pelo Programa Minha Casa, Minha Vida.

A capital cearense, que recebe a 6ª Conferência de Cúpula do Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, também recebe seminário sobre o desenvolvimento do país, articulado por movimentos sociais. A programação inclui debates sobre respeito aos direitos humanos nos países envolvidos, desigualdades socioambientais e direitos das mulheres, dentre outros.

No encontro, o Comitê Popular da Copa, em conjunto com outras entidades, como a Rede Jubileu Sul Brasil, também lançará cartilha sobre os impactos da Copa. “Os temas estão relacionados. Vamos discutir o legado, os países que exploram, os gastos etc”, diz o integrante da Rede Jubileu Sul Brasil, Francisco Vladimir Lima da Silva.

No encerramento do encontro do Brics, em Brasília, haverá ato público para pedir asilo para o ex-colaborador da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos Edward Snowden, que denunciou ações de espionagem cibernética norte-americana. Ativistas entregarão uma carta ao governo brasileiro, na próxima quarta-feira (16), às 11h, no Ministro da Justiça, em apoio a Snowden.

“Estarão aqui [autoridades] para debater esse modelo de desenvolvimento que a gente condena. Vão discutir a criação de um banco para financiar justamente os megaprojetos e megaeventos”, diz o integrante do Comitê Popular da Copa no Distrito Federal, Thiago Ávila, para quem este é o momento de pautar o desenvolvimento “para poucos”.

As eleições também estão marcadas no calendário de atividades dos movimentos. “Agora que as lutas serão feitas mais fortemente, até o período eleitoral”, diz a integrante do Comitê Popular dos Atingidos pela Copa em Belo Horizonte, Amanda Medeiros. Para ela, o que aconteceu na cidade onde mora foi um “Estado de exceção. Os atos foram duramente reprimidos”. Logo no início da Copa, o uso de máscaras foi proibido por lei estadual. “Vamos correr atrás das articulações, ver o que os candidatos vão fazer, pressionar o poder público”, acrescenta.

Edição: Stênio Ribeiro


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