Flamenguistas declaram apoio à Alemanha no Baixo Berlim

Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil
Torcedor alemão vibra no Estádio do Maracanã. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Torcedor alemão vibra no Estádio do Maracanã. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Enquanto a Fifa Fan Fest, em Copacabana, está lotada de argentinos, para assistir à partida final da Copa do Mundo, hoje (13), os alemães se reuniram no Leme. Lá, recebem apoio da torcida flamenguista que promete “secar” os hermanos até o fim do jogo. A área onde ficam os quiosques no Forte do Leme, que desde maio recebe a exposição Ursos Camaradas Unidos – A Arte da Tolerância, passou a ser chamada de Baixo Berlim e está lotada, com pessoas em pé, para ver as pequenas televisões que transmitem o jogo do Estádio Maracanã.

No hotel em frente, foi estendida uma camisa da Alemanha, que ocupa cinco andares do prédio, com o número 12, que faz referência ao apoio da torcida aos 11 homens em campo. “Hoje foi o dia de os flamenguistas tirarem a camisa do armário. Não tem campeonato brasileiro, não tem a seleção [brasileira] mas temos um time para torcer “, brincou o torcedor Gustavo Tochio, de 34 anos. Com um grupo de amigos, ele é um dos que disputam um espaço, devidamente vestido com a camisa do Flamengo, que inspirou o segundo uniforme alemão, nas cores vermelho e preto.

Quem também vestiu a camisa, arrumou uma bandeira e pintou até o rosto, foi a torcedora Renata Ferreira, de 31 anos. “É um pretexto, na verdade, para gente torcer contra a Argentina e dar uma secada legal. Já pensou se eles ganham? Vamos ser ‘zoados’ o resto da vida”, disse. “Se fosse qualquer outra seleção sul-americana – Uruguai, Colômbia – a gente torceria a favor, menos Argentina”, reforçou.

Para os flamenguistas, apesar de o Brasil ter perdido de 7 a 1contra a Alemanha, o mais importante é evitar que a Argentina conquiste o terceiro título no Brasil. Há uma rivalidade normal, que vem do futebol, por ser Brasil e Argentina duas das melhores equipes do mundo e países vizinhos”, justificou Felipe Porto, que estava com os três irmãos flamenguistas no Leme.

Para os alemães, que estão em minoria no Rio de Janeiro, a torcida brasileira é bem vinda. “Sinto que a gente tem 6 milhões de torcedores pela Alemanha aqui. Nos sentimos como o time da casa, com todo esse apoio”, disse Torben Gunter, de 36 anos. “Muito bom viver isso”.

Torben sabe que vai ser um jogo difícil, mas aposta na eficiência. “É a nossa vez agora. Esperamos 24 anos. Nenhum jogador, nem o [craque argentino] Messi pode neutralizar o poder de um time”, acredita.

Vivendo em São Paulo há um ano, Thilo Rudat, de 22 anos, sabe que times como o Flamengo conseguem arrigementar muitos fãs e aposta nessa energia para a Alemanha se consagrar campeã. “A torcida, nessas horas faz grande diferença. E também para encher a comemoração, mais tarde”, apostou.

No Baixo Berlim, onde o clube dos torcedores alemães instalou um telão, é dificil encontrar brasileiros torcendo para a Argentina. Mas Isabela Riva, discretamente, assume sua opção: “Olha, somos todos latinos. Temos que nos apoiar, não somente no futebol, mas  na economia, na política, na educação e em todo o resto”, declarou.


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