Assad assume novo mandato na Síria e promete derrotar rebeldes

Bashar al-Assad foi empossado nesta quarta-feira como presidente da Síria para um novo mandato, oponentes classificam como fraude

Por Marwan Makdisitr_rgb_pos_thumb

DAMASCO (Reuters) – Bashar al-Assad foi empossado nesta quarta-feira como presidente da Síria para um novo mandato, após uma eleição classificada por seus oponentes como uma fraude, mas que para os seus partidários é uma prova do fracasso de uma rebelião para tirá-lo do poder após três anos de guerra.

Após fazer o juramento de posse perante o Alcorão e uma cópia da Constituição do país, o presidente, há 14 anos no poder, fez um discurso desafiador, prometendo recuperar toda a Síria das mãos de insurgentes islâmicos.

Com aparência calma e confiante, ele repetidamente criticou o Ocidente e as monarquias muçulmanas sunitas do Golfo que financiaram e armaram os rebeldes que tomaram controle de grande parte do norte e do leste do país, mas fracassaram em derrubá-lo na capital, Damasco.

“Em breve veremos os Estados árabes, regionais e ocidentais que apoiaram o terrorismo pagarem um alto preço”, disse ele em um discurso no palácio presidencial em Damasco, transmitido pela TV estatal.

A guerra Síria tem sido o campo de batalha para uma luta sectária entre grupos apoiados por Estados sunitas, incluindo a Arábia Saudita e o Catar, e o governo de Assad, apoiado pelo Irã, um Estado xiita.

No mês passado essa briga espalhou-se para o Iraque, onde um grupo separatista da Al Qaeda chamado Estado Islâmico do Iraque e o Levante (EIIL) ultrapassou a fronteira, tomou cidades, mudou seu nome para Estado Islâmico e declarou seu líder como governador de todos os muçulmanos.

O EIIL foi oficialmente rejeitado como grupo terrorista pelos Estados do Golfo que apóiam outros combatentes sunitas na Síria, mas Damasco, Bagdá e Teerã culpam os reinos do Golfo por apoiarem a militância sunita mais ampla que alimenta esse grupo.

Desde que avançou no Iraque, o EIIL também expandiu seu alcance na Síria, utilizando armas tomadas de forças militares iraquianas.

Assad assumiu o poder no país em 2000 após a morte de seu pai, Hafez, que governou a Síria por três décadas. Ele manteve firme controle em Damasco desde que a revolta começou, desafiando confiantes previsões de líderes ocidentais, incluindo do presidente dos EUA, Barack Obama, de que seria derrubado.

A revolta, que começou com manifestações pró-democracia em 2011 – que Assad classificou em seu discurso como a “falsa Primavera Árabe” – e rapidamente se transformou em uma guerra civil sectária na qual mais de 170 mil pessoas morreram. Segundo as Nações Unidas, 10,8 milhões de sírios agora precisam urgentemente de ajuda.

Presidente de Síria, Bashar al-Assad. (Foto: Reprodução/GCN)

Presidente de Síria, Bashar al-Assad. (Foto: Reprodução/GCN)


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